Como fazer um Site Survey de RF? (Dicas e Melhores Práticas)

Postado por leopedrini segunda-feira, 20 de junho de 2011 09:17:00 Categories: Curso
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De todas as atividades que um profissional de telecomunicações possui, uma das mais importante é o Projeto de RF.

Isso porque essa atividade resulta em alterações físicas na rede, modificando ou adicionando novos Sites e/ou Equipamentos.

 

 

Baseado nas configurações (e necessidades) atuais da Rede, diversas áreas – desde Planejamento e Otimização até Marketing – podem demandar essas alterações que definem as configurações futuras da rede.

Uma vez definidas a região dos novos sites, uma outra atividade extremamente importante é o levantamento dos Pontos Candidatos, ou seja, pontos próximos aos locais definidos como Ideal, e que sejam possíveis de terem um Novo Site Implantado.

E essa parte do projeto é o que chamamos de ‘Site Survey’ – também com outras variações comuns como ‘RF Survey’, ‘RF Site Survey’ ou ‘Wireless Survey’.

 

Nota: Para simplificar, de agora em diante neste tutorial vamos nos referir ao mesmo apenas como ‘Site Survey’.

Caso o mesmo não seja executado de forma adequada – com uma má escolha dos pontos – as consequências variam desde uma pior Performance geral do sistema (em comparação com o que poderia ser), até casos em que são necessários mais Sites/Equipamentos para atender uma mesma região. Ou seja, implica em perdas de CAPEX, OPEX e Qualidade da Rede!

É mais do que suficiente para tentarmos executá-lo da melhor forma possível, não?

Infelizmente, esse é um tipo de atividade que não se aprende na teoria, e o seu sucesso depende bastante da experiência de seus executores. Além disso, não há muito material de referência específica sobre o assunto.

Vamos portanto hoje tentar enumerar algumas das melhores práticas do mesmo, como um passo a passo. Como sempre estaremos seguindo a metodologia Hunter de organizar todos os procedimentos do nosso trabalho.

Então vamos lá?

 

Antes do Survey

Como em toda atividade a ser executada, o ‘Site Survey’ deve ser antes de mais nada bem planejado, a fim de que sua execução aconteça da melhor forma possível.

Para isso, é aconselhável seguirmos alguns procedimentos básicos, ou algumas tarefas, comuns e necessárias: uma pré-análise antes de qualquer ‘Site Survey’.

Antes de se dirigir ao local do ‘Site Survey’, é extremamente importante fazer uma análise completa do da Região. Para isso, todos os recursos disponíveis devem ser utilizados: Fotos Aéreas e Imagens do Google Earth, Mapas, etc.

Importante: Leve sempre os dados impressos, com as áreas de interesse destacadas, com um zoom maior e outro menor, com destaque na área de interesse.

 

Equipamentos

O primeiro dado importante vem do planejamento, onde definimos os equipamentos que serão instalados. Aqui já importante destacar que é necessário conhecer as características desses equipamentos, e como eles podem ser instalados.

Conhecer por exemplo as dimensões dos mesmos, se eles podem ser instalados em topos de torres, quantas antenas serão necessárias, se será uma BTS ou Repetidor, etc.

 

Predições

A partir da definição dos equipamentos, passamos então aos cálculos teóricos, onde vamos definir o local do nosso site.

Para isso, devemos utilizar ferramentas de Predição de Propagação de Sinal. Essas ferramentas, quando bem ajustadas, nos dão uma noção muito próxima do que vamos conseguir alcançar. É claro que as Predições não refletem exatamente o que vai ser obtido na prática, mas servem como excelente referência.

Uma ferramenta de Predição bem ajustada é aquela que traz resultados próximos aos encontrados na coleta dos dados, como nos ‘Drive Tests’. Esse ajuste pode ser feito através da utilização de diferentes ‘Modelos de Propagação’ para diferentes áreas (Urbana, Suburbana, etc...).

 

Quanto melhor for a resolução de sua base de dados, maior a precisão. Entretanto, consome mais recursos do processador, e demora mais. Para uma aproximação razoavelmente boa, aconselhamos que você utilize pelo menos a resolução de 30 metros, disponível gratuitamente para download no site da NASA.

Outros recursos, como ‘Building Heights’ – ou seja, as alturas das construções existentes também melhoram muito a precisão do resultado, porém são mais difíceis e caras de serem obtidas.

Mas lembre-se que independente da sua ‘confiabilidade’ das predições, o mais importante é a ‘comparação’ entre os pontos candidatos. Ou seja, mesmo que a sua ferramenta de predição não lhe apresente resultados exatamente como o real, é sempre válido utilizá-la pelo menos para ‘comparações’ das predições entre os principais pontos candidatos.

 

Drive Test

Uma outra ferramenta excelente para verificação de novos pontos é o ‘Drive Test’.

Num mundo ideal, se fosse possível termos um ‘Drive Test’ detalhado em toda a área de interesse, nem precisaríamos da Ferramenta de Predição para esse trabalho, já que teríamos uma visão real e completa de como está a cobertura, e onde devemos melhorar.

Infelizmente, não é assim, mas podemos utilizar os ‘Drive Tests’ disponíveis como um complemento da análise – até mesmo para validar o resultado obtido com a Predição.

Por isso é importante termos os Drive Test acessíveis de maneira rápida e fácil, por exemplo já processados em arquivos do Mapinfo e/ou do Google Earth.

 

Abra os Drive Tests disponíveis na região de interesse, e aproveite para salvar mais algumas imagens, que podem ser bem úteis em campo, impressas.

Uma vez feitas as análises (Predição, ‘Drive Test’, e outras que forem possíveis) podemos iniciar o processo de ‘Site Survey’.

 

Qual o Objetivo?

Quando você parte para um ‘Site Survey’, já deve conhecer qual o objetivo do mesmo, ou entre outras palavras necessidades de melhorias que originaram o processo de implantação deste novo site:

  • Qualidade
  • Cobertura
  • Capacidade

Embora o ‘Site Survey’ deva sempre buscar atender a todos os objetivos, um deles sempre se destaca, ou é mais prioritário, e isso deve ser levado em conta na realização do mesmo.

Explicando melhor: por exemplo, se o objetivo é aumento de Cobertura, você deve procurar um local com a melhor visada para todas as direções de interesse. Mas se o objetivo for Capacidade, foque nisso, e busque pontos que vão resolver esse problema.

 

Conceitos

Os conceitos básicos do ‘Site Survey’ são bem simples, e o que vale a pena destacar é que no mesmo você indica um ou mais pontos como possíveis Candidatos.

Esses pontos candidatos devem estar localizados dentro de uma região conhecida como ‘Search Ring’. Embora o nome sugira, esse polígono pode ter qualquer forma, até mesmo a de um quadrado.

 

Esse pontos são registrados em relatório próprio, seguindo os processos e documentos próprios de cada empresa, e deve ser indicado a prioridade de cada um dos pontos (do mais indicado para o menos indicado).

Isso porque pode ser que o ponto indicado como melhor ponto apresente algum problema, como um proprietário que desista de Alugar, problemas de Transmissão, inviabilidade de Infra-Estrutura, etc.

Além disso, mais pontos permitem uma melhor margem para negociação da área responsável por essa contratação.

Para evitar esses problemas, é interessante que o ‘Site Survey’ seja realizado em conjunto pelas áreas de RF, Transmissão, Contratação e Infra-Estrutura. Sabemos entretanto que isso quase nunca é possível, por isso cabe ao profissional que o realiza atentar para todos esses aspectos.

Por exemplo, se você é da área de RF, e estiver realizando o mesmo sozinho, porque não anotar o Nome e Telefone de Contato dos proprietários de cada ponto? O seu colega da área de Contratação vai agradecer, sem falar que o processo será mais agilizado.

 

Quais Equipamentos levar?

Geralmente percebemos como algo é importante quando precisamos dele – mas não temos mais o mesmo disponível!

Isso se aplica também ao ‘Site Survey’. Imagine chegar a um local afastado mais de 100 km de qualquer centro urbano, e perceber que esqueceu comprar pilhas novas para a câmera! Isso pode ser muito frustante – isso sem falar que é um ‘sofrimento’ e trabalho desnecessário!

Então, podemos pelo menos nos certificar de levar a maior quantidade de equipamentos que se apliquem ao tipo do ‘Site Survey’ a ser realizado!

Não existe uma regra obrigatória obre quais equipamentos levar, mas apresentamos um pequeno ‘Check List’ com os principais equipamentos desejados e/ou necessários. Como sempre, tudo vai depender da sua necessidade - tipo do ‘Survey’, Área, etc.

  • GPS: para localização de coordenadas. No GPS você também pode inserir os pontos dos sites de sua rede, e usá-los como referência, principalmente em locais rurais.
  • Câmera: para fotos.
  • Pilhas: para a Câmera.
  • Chaves e Segredos de Cadeados: tanto de sua operadora, quanto de operadoras concorrentes, quando houver possibilidade de compartilhamento.
  • Binóculo: para visualizar outros pontos distantes, como Sites de Transmissão.
  • Bússola: orientação de azimutes.
  • Celular com Modo Test habilitado: para verificação do sinal.
  • EPI: se você subir em alguma torre.
  • Bloco de Notas Pequeno: para anotações rápidas, que caiba no bolso.
  • Template impresso com principais dados a serem levantados: utilize uma folha para cada candidato, para anotar todas as informações úteis e necessárias.

Como mencionado, essa lista não é completa, você poderá ter outros equipamentos mais específicos de acordo com a sua necessidade.

 

Fotos

Já então na realização do ‘Site Survey’, uma parte muito importante é referente às Fotos.

Lembre-se que quando você estiver realizando o ‘Site Survey’, você tem uma visão bem clara e completa do local. Entretanto, quando você chega ao escritório, a situação muda bastante.

E piora bastante se você for acumulando fotos de vários ‘Site Surveys’. Você corre um sério risco de esquecer a referência de algumas fotos, desperdiçando seu trabalho, e pior, diminuindo a qualidade de sua análise e relatórios.

Quando for tirar fotos panorâmicas, é importante saber qual a orientação de cada uma delas.

Para se conseguir isso em campo, primeiro, com a bússola, identifique onde está o Norte (0 graus). E faça marcações no chão como for possível – na poeira do chão, com uma pedra, etc.

 

Assim, quando você tirar as fotos, basta seguir as orientações. Marque no chão as posições de 0 graus a 360 graus, dividida de 45 em 45 graus, e tire as fotos.

 

Uma outra boa dica é sempre tirar fotos de referência, indicando que você começou e terminou uma sequência – por exemplo como a mostrada acima.

 

Ao tirar fotos, lembre-se também de deixar apenas uma ‘pequena’ parte do Céu aparecendo. Lembre-se que o que importa é a área de interesse - você não vai querer chegar ao escritório e perceber que mais da metade da área útil das fotos é de Céu!

Veja por exemplo as duas fotos abaixo. Foram tiradas na mesma direção, só que a segunda não nos preocupamos em diminuir o Céu.

 

É fácil perceber qual das duas nos traz mais informação, não é mesmo? Embora parece óbvio, este é um erro que muita gente comete quando está fazendo os seus primeiros ‘Site Surveys’.

 

 

Visão Geral

É comum também a alguns projetistas iniciantes o problema da ‘Visão Limitada’.

Ao chegar ao local de interesse, se dirigem a um ponto, onde o objetivo do projeto é alcançado. E param por aí!

Por melhores que sejam as análises no escritório, nada substitui a verificação em campo. Porém, essa verificação deve ser feita da maneira mais extensa possível.

Suponha por exemplo que você esteja procurando pontos em topos de prédios para um determinado projeto. De baixo, ao nível da rua, você observa alguns possíveis candidatos, e sobe em um deles.

Do topo desse prédio, percebe uma boa visão para atender a região, e decide que esse será o ponto mais indicado – sem subir nos demais prédios!

Não faça isso – não tenha ‘preguiça’: suba em ‘todos’ os prédios! Muitas vezes, pontos que parecem prover a mesma cobertura se mostram bem melhores que outros quando você tem uma visão mais ampla do que todos eles podem prover.

Evitando a ‘Visão Limitada’ você têm uma outra forma de visualização do local: a ‘Visão Macro’.

Num ‘Search Ring’ como o mostrado abaixo, com apenas dois prédios como candidatos, qual deles você colocaria como mais indicado?

 

Simplesmente olhando para a figura, escolhemos o ponto mais próximo do centro – e não aquele mais afastado da área de interesse.

É claro que a figura é ilustrativa, e vários outros fatores devem ser levados em conta para essa decisão, mas de forma geral, não ter uma visão limitada, e buscar uma visão macro sempre ajuda a obter o melhor resultado.

 

Compartilhamento

Um assunto cada vez mais comum hoje em dia é o compartilhamento de Infra-Estrutura entre as Operadoras. Esse compartilhamento inclui inclusive Antenas.

Existem empresas especializadas em ‘Site Sharing’, ou seja, empresas que possuem Infra-Estrutura própria (como Torres) e disponibilizam para quem tiver interesse, mediante o pagamento de um Aluguel.

É interessante conhecer de antemão todos os pontos de possível compartilhamento, por exemplo plotando esses pontos no Google Earth, obtendo um visão mais clara de qual site pode ser útil para determinado projeto - você dá um zoom na região do novo site, e vê quais são as opções.

 

Além disso, é preciso conhecer as premissas em relação ao compartilhamento. Ou seja, é preciso saber a prioridade:

  • Optar por Compartilhamento em primeiro lugar, sempre que for possível, como forma de adiantar os processos;
  • Tentar definir pontos mais Exclusivos, indicando compartilhamento somente em último caso. Isso ger mais gastos iniciais, mas pode ser a Estratégia da Empresa e portanto deve ser seguida.

 

‘Roof Tops’

Se o ‘Site Survey’ for realizado em uma área urbana, com prédios como possíveis candidatos, é essencial que você suba em vários, o tanto quanto possível.

Nesse caso, principalmente, aplica-se o critério de Visão Geral e Macro do Cenário, como vimos acima.

 

Caso de Repetidores

No caso de ‘Site Survey’ para instalação de Repetidores, lembre-se de levar equipamento extra para medição de sinal direcionado, ou seja, uma antena ‘Yagi’ (de modelo e ganho conhecido), um cabo para conectar ao celular, e é claro, um celular com conector para esse cabo.

Leve uma tabela impressa como a abaixo, para anotar os dados relevantes de cada cenário.

 

Quais dados coletar?

Tenha sempre em mãos um bloco de notas, e uma caneta. Lembre-se que informações são sempre importantes, mesmo que a primeira vista não pareçam.

Faça sempre o ‘Site Survey’ como se não fosse você a pessoa que vai fazer a documentação final, isto é, reúna a maior quantidade de dados possível. Assim os relatórios vão ser feitos com a maior quantidade de detalhes, que como vimos, podem fazer a diferença entre um bom e um mau Projeto Final implantado.

 

Ao chegar de volta no Escritório...

Por fim, ao chegar no escritório, desanexe todos os dados (fotos, ‘Drive Tests’...) em local apropriado, principalmente como indicamos no tutorial sobre a Estrutura de Diretórios de Telecom.

Lembre-se também de fazer as observações, e principalmente, renomeie as fotos para nomes mais relevantes. Nunca deixe para depois: você vai acabar se esquecendo de algum detalhe, pode ter certeza.

 

Conclusão

Bom pessoal, é isso. Esperamos que você tenha esclarecido suas dúvidas em relação à realização de um ‘Site Survey’, assim como tenha conhecido algumas das melhores práticas adotadas pelos profissionais da área.

Como vimos, essa é uma atividade muito importante, afetando de forma direta e indireta diversos aspectos da rede, inclusive financeiros.

Tanto nela quanto em todas nas demais atividades das áreas de Telecom e TI, o desafio é buscar os melhores resultados, alcançando as metas e objetivos. Para isso é muito importante termos organização de planejamento antes de toda tarefa, sabendo claramente onde obter ou extrair as informações necessárias para viabilização da análise. Perceba que isso é justamente aquilo que falamos sempre, na metodologia Hunter.

Assim, continue sempre buscando seguir essa metodologia em todas as outras atividades do seu dia a dia, aproveitando as dicas apresentadas aqui e em outros Tutoriais e Seções. Dessa forma, em pouco tempo você irá adquirir conhecimento como os melhores profissionais da área possuem!

E se você gostou desse ou de outro tutorial, contamos sempre com o seu apoio nos ajudando na divulgação, por exemplo com os links de compartilhamento abaixo. Compartilhando, você nos motiva a continuar escrevendo muito mais tutoriais como esse!